Perguntas mais buscadas:
- Como se alimentar durante provas com mais de 10 horas de duração?
- É possível manter a performance sem enjoar dos alimentos?
- O que comer após 6, 8, 10 horas de esforço contínuo?
- Como evitar desconfortos gastrointestinais em provas longas?
- Qual a proporção ideal de carboidratos, proteínas e gorduras nesse tipo de prova?
- Existem alimentos mais indicados para provas ultralongas?
- Como adaptar a nutrição em climas extremos e longa duração?
- Quais suplementos ajudam após 10h de prova?
- Como planejar a alimentação para provas autossuficientes?
- É necessário mudar a estratégia ao anoitecer durante a prova?
Provas de endurance com mais de 10 horas de duração exigem estratégias nutricionais muito bem planejadas e individualizadas. Após esse tempo, o corpo entra em zonas de desgaste físico e mental que desafiam a digestão, a hidratação, o sistema nervoso central e a própria tolerância sensorial a sabores e texturas. Uma abordagem progressiva, adaptativa e cuidadosa é essencial para garantir a continuidade do desempenho e evitar problemas metabólicos, imunológicos ou gastrointestinais.
Início forte, mas sustentável: o planejamento das 3 primeiras horas
Nas primeiras horas, o atleta ainda está em estado relativamente preservado. A digestão funciona bem, há boa tolerância a líquidos e alimentos sólidos leves. Aqui, a ingestão calórica pode se concentrar em carboidratos simples e complexos, com pequena inclusão de gorduras leves (castanhas, manteiga de amendoim) e mínima proteína. Um gráfico com planejamento de ingestão por hora ajuda o atleta a visualizar o que será consumido ao longo da prova.
Do 4º ao 6º hora: manutenção do ritmo e variedade alimentar
Após 3–4 horas, o sistema digestivo começa a dar sinais de cansaço, e a monotonia alimentar pode comprometer a adesão ao plano. É o momento de introduzir alimentos de diferentes texturas: purês, smoothies, frutas, pequenas porções de arroz ou macarrão frio, wraps ou sanduíches leves. A variação de sabores (doce/salgado) e temperatura dos alimentos (gelado/refrescante ou morno) também ajuda a manter o apetite. Um infográfico com escala de palatabilidade pode ilustrar opções práticas.
Hora 7 em diante: prevenção de fadiga digestiva e mental
Com o acúmulo de tempo, há aumento do risco de náusea, refluxo e recusa alimentar. Isso é fisiológico: o fluxo sanguíneo está priorizando os músculos e a pele, não o intestino. A ingestão deve ser fracionada, líquida ou pastosa, com densidade calórica moderada. Sopas salgadas, caldo de ossos, purês com batata ou mandioca, e bebidas proteicas são boas opções. A adição de glutamina pode ajudar na integridade intestinal.
Quando o estômago começa a dizer “não”: estratégias sensoriais
A exaustão sensorial é real em provas ultralongas. O atleta simplesmente não consegue mais ingerir o que levava com facilidade no início. Para isso, é importante alternar alimentos crocantes com líquidos, usar sabores cítricos e até picantes em doses pequenas, e evitar exageros em alimentos doces. Chicletes de menta, gengibre cristalizado e bebidas com limão ou vinagre de maçã diluído ajudam a “acordar” o paladar.
Uso de proteínas e gorduras ao longo do tempo
Embora o carboidrato continue sendo o principal combustível, em provas com mais de 10 horas o corpo passa a usar mais gordura e pode entrar em catabolismo muscular. Pequenas quantidades de proteína (10–15g a cada 3h) ajudam na preservação muscular. Fontes incluem shakes, barras com proteína vegetal, ovos cozidos, queijos curados. A gordura deve ser usada com parcimônia e preferencialmente em momentos de menor intensidade física.
Eletrólitos: ajuste constante conforme clima e duração
Após 6–8 horas de prova, há acúmulo de perda de sódio, potássio e magnésio, e a ingestão de líquidos sem eletrólitos pode causar hiponatremia. Soluções orais com 300–700mg de sódio por litro, além de cápsulas de sal, devem ser usadas estrategicamente. A inclusão de alimentos salgados (batata cozida com sal, caldos, azeitonas) também contribui. Tabelas de perda média de eletrólitos por hora em diferentes temperaturas são recursos úteis no planejamento.
Suplementação inteligente para provas longas
O uso de suplementos se torna ainda mais relevante com o avanço das horas. Cafeína deve ser usada estrategicamente a partir da 5ª ou 6ª hora, para evitar tolerância e efeitos colaterais. Creatina (se previamente usada), beta-alanina, BCAA e adaptógenos (como Rhodiola e Ashwagandha) podem contribuir com a manutenção da performance. A ribose, antioxidantes e probióticos também são estudados com bons resultados para provas ultra.
Modulação da ingestão conforme temperatura e momento do dia
Ao anoitecer, a temperatura corporal tende a cair e o apetite retorna. Esse é o momento ideal para refeições levemente mais densas, mornas e com maior valor afetivo (risoto, macarrão, sopa de frango). Já no calor intenso, priorizar alimentos leves, frios e ricos em água. Uma tabela de variação térmica vs tipos de alimentos é interessante para provas em regiões montanhosas ou com transições de clima.
Recuperação durante a própria prova: prevenção da falência
A recuperação parcial durante a prova é possível e necessária. Incluir momentos planejados de repouso ativo, ingestão proteica com carboidrato e uso de técnicas de relaxamento (respiração, alongamento leve) pode melhorar a resposta muscular e imunológica. Além disso, hidratação guiada por sede e autoavaliação de urina devem ser retomadas ao longo do percurso. Um gráfico com ciclos de recuperação por tempo acumulado é uma boa ferramenta educativa.
Logística de transporte e segurança alimentar
Provas com mais de 10 horas exigem planejamento rigoroso da logística alimentar. A conservação dos alimentos, a proteção contra contaminação, a escolha de recipientes funcionais e a distribuição por etapas são determinantes. Alimentos embalados a vácuo, resistentes a variações de temperatura e de fácil abertura são preferíveis. Planejar a nutrição como se fosse uma missão logística militar pode fazer a diferença entre terminar a prova ou abandonar.
Referências bibliográficas:
- Jeukendrup, A. E. (2011). Nutrition for endurance sports: Marathon, triathlon, and road cycling. Journal of Sports Sciences
- Thomas, D. T., Erdman, K. A., & Burke, L. M. (2016). Position of the Academy of Nutrition and Dietetics: Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics
- Burke, L. M., & Hawley, J. A. (2018). Swifter, higher, stronger: What’s on the menu? Science.
- Hoffman, M. D., & Fogard, K. (2011). Nutritional requirements for ultra-endurance athletes. Current Sports Medicine Reports
